Much Better reunia tudo que um cavalo de corrida precisa para ter sucesso nas pistas: um proprietário e turfista de elite; um jóquei fantástico, Jorge Ricardo, um dos melhores do mundo; um treinador campeão, como João Luiz Maciel; e os cuidados de uma competente equipe que o manteve são e em forma em todos os instantes de sua longa campanha. Some-se a isso as suas qualidades e o resultado é uma das glórias da criação brasileira em todos os tempos.
Nascido e criado no Haras J.B.Barros, Much Better, como Sandpit, também é filho do irlandês Baynoun na brasileira Charming Doll, ganhadora de oito corridas. Levado a leilão em 1991, foi arrematado pelo Stud TNT e iniciou sua campanha na Gávea. A partir dos quatro anos, a consagração nas pistas. Quando completou quatro anos, veio a escalada para o sucesso nacional e internacional, tendo sido segundo no GP Brasil de 1993, e no GP Carlos Pellegrini, em San Isidro, Buenos Aires, enfrentando a nata dos competidores argentinos. Mas um de seus maiores feitos ocorreu fora do continente sul-americano.
Levado para a França no mesmo ano, correu - como nenhum outro cavalo brasileiro jamais ousara fazer - o que o mundo do turfe considera como uma espécie de campeonato mundial do puro-sangue inglês, o tradicional GP Arco do Triunfo, disputado no primeiro domingo de outubro no Hipódromo de Longchamps, em Paris. E corrreu bem para quem nunca pisara em pista tão complicada e, seletiva com seus aclives e declives.
No ano seguinte, maduro e inteiramente formado, Much Better impôs toda sua classe de cavalo de exceção: correu e ganhou o GP Brasil, o GP São Paulo, o GP Latinoamericano, em La Plata, Argentina, 2.100 metros, contra os melhores do continente, e fechou o ano vencendo o GP Carlos Pellegrini, em San Isidro, Buenos Aires, 2.400 metros. Nenhum outro corredor jamais fizera igual.
Mas não ficou só nisso. Um ano depois, em 1995, confirmou seu título de melhor cavalo da América do Sul, levantando pela segunda vez consecutiva o GP Latino, desta vez em 2.000 metros, na Gávea. Tinha 7 anos de idade. Sua coragem, aliada ao brio de veterano de muitos e velhos combates, revelou-se notável. Na década de 1990, poucos animais prenderam mais a atenção do público brasileiro e sul-americano.
Much Better é um dos maiores de todos os tempos. Levado para reprodução, produziu poucas gerações e, precocemente, morreu de forma trágica num incêndio ocorrido no haras onde estava alojado, em Bagé (RS). Uma perda lamentável para o turfe.
Na opinião de Jorge Ricardo, recordista mundial de vitórias, o melhor cavalo que já montou.
"Até que me provem o contrário, nenhum outro teve mais categoria que Much Better. Foi o melhor cavalo que montei em toda minha carreira e nunca vou me esquecer dele. Tinha raça, disposição e, quando precisava, simplesmente liqüidava os adversários. Ele ganhou todas as provas importantes do turfe na América do Sul. Com ele ganhei os GP Brasil, São Paulo, Carlos Pellegrini e por duas vezes o Latino. Menos de um mês depois de correr na França, enfrentando a viagem, outro hemisfério, corrida em pista de subidas e descidas e no sentido contrário, voltou à Gávea e perdeu por diferença mínima para Fanstastic Dancer, em tempo recorde.
No ano de 1994, Much Better realizou o que talvez nenhum outro corredor tenha conseguido em toda uma campanha. Ele era um craque fantástico e me proporcionou grandes alegrias. É preciso, também, ressaltar o trabalho do treinador João Luís Maciel, falecido aos 33 anos e que foi um dos responsáveis pela magnífica campanha do cavalo. Ele o conhecia muito." Disse Ricardo.



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