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6 de jun. de 2013

Escorial, o brasileiro que arrasou os argentinos



Filho do italiano Orsenigo, Escorial foi o melhor entre tantos animais de exceção criados pelos irmãos Nelson e Roberto Seabra no Haras Guanabara, em Bananal, São Paulo. Defensor da famosa blusa verde e preto em listras verticais, montado pelo mestre Francisco Irigoyen, Escorial faz parte de uma longa lista de cavalos imortais que até hoje habitam o imaginário dos turfistas da velha guarda, como Rumor, Radar, Dulce, Lohengrin, Emoción, Canavial e Duplex, entre tantos outros produzidos pelos campos do Guanabara.

Em Buenos Aires, humilhou os craques argentinos
Aos três anos, Escorial impôs-se aos rivais de sua geração - que incluía craques como Gaudeamus - e ganhou todos os clássicos da chamada "tríplice-coroa" dos potros, em 1.600, 2.400 e 3.000 metros, incluindo o Derby (GP Cruzeiro do Sul), no Hipódromo Brasileiro. Não tendo mais adversários no Brasil, foi levado ao exterior para disputar o GP Carlos Pellegrini de 1959, em 3.000 metros, grama, a prova máxima do turfe argentino. Ganhou quando quis e como quis, zombando dos rivais.

Mas não parou aí. Em 1960, há seis meses afastado das pistas, viajou a Buenos Aires para, desta vez, correr o GP 25 de Mayo - Sesquicentenário da República Argentina, à época um acontecimento de gala. A distância diminuíra para 2.400 metros, mas a oposição era formidável e reunia os melhores cavalos do continente.
Diante dos quase cem mil espectadores que lotaram o hipódromo de San Isidro, Escorial venceu com firmeza, merecendo afagos no pescoço do campeão Irigoyen. Mais ainda, porque, em segundo, chegou outro animal, também nascido e criado no Brasil, o notável Farwell, do Stud Almeida Prado & Assunção. Até Nelson Rodrigues, entusiasmado com o tamanho da façanha, escreveria, na semana seguinte, que Escorial havia vencido "não porque fosse bom, o que na verdade ele é, mas porque é brasileiro. O importante é ser brasileiro."
Animal castanho, de porte médio, elegante, proporções perfeitas e bela cabeça, com 11 vitórias em seu cartel, ele tinha tudo que se exige de um cavalo: velocidade para acompanhar o ritmo dos ponteiros; capacidade de encontrar nova marcha quando exigido pelo jóquei; coração e coragem para sustentar o esforço e lutar até o disco de chegada.
Levado para a reprodução na França, embora tenha produzido bons ganhadores, não repetiu o brilho das pistas. Para muitos, ele foi o melhor cavalo já nascido no país. Escorial marcou época no turfe e foi o primeiro grande ganhador clássico a projetar a criação nacional além das fronteiras. Depois dele, e graças a ele, tudo pareceu possível para o puro-sangue inglês de corrida nascido no Brasil. Escorial é lembrado até hoje.

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