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13 de jun. de 2013

Pico Central - Herói brasileiro em Nova York

Nascido no Haras Fronteira, da família Moglia, em Bagé, Rio Grande do Sul, filho do americano Spend A Buck, Pico Central foi adquirido em leilão de potros, realizado na Gávea, pelo Stud Capitão. Sua campanha em pistas brasileiras foi orientada pelo treinador Roberto Morgado Júnior. Sua campanha no Brasil e nos Estados Unidos confirmou sua qualidade.
No Brasil, foi à pista oito vezes em 2002 (sete na Gávea, uma em Cidade Jardim) para ganhar em quatro oportunidades e duas provas de Grupo I, ambas na Gávea: o GP Estado do Rio de Janeiro, na milha, abrindo a Tríplice Coroa de potros e o GP Major Suckow, quilômetro internacional na semana do GP Brasil. Mas a consagração ainda estaria por vir, exatamente quando muitos duvidavam de seu sucesso, uma vez que foi mandado para os Estados Unidos para correr provas de velocidade, na pista dos americanos. O tempo provou o acerto da decisão. Na América, treinado pelo brasileiro Paulo Henrique Lobo, Pico Central ganhou cinco vezes ao longo do ano de 2004, em três hipódromos diferentes. Estreou vencendo em Santa Anita, Califórnia, e em sua segunda apresentação cravou 81s16/100 para os 1.400 metros do San Carlos Handicap, Grupo II, batendo a Publication. Marca excepcional.

Vendido a Gary Tanaka, foi correr o Carter Handicap, Grupo I, em Aqueduct, Nova York, e baixou seu tempo para os 1.400 metros: 80s/100, quase recorde, batendo a Strong Hope. Na quarta apresentação, agora em Belmont Park, em Nova York, venceu o Metropolitan Handicap, 1.600 metros, Grupo I, a famosa “Met Mile”, com bolsa de US$ 750 mil. Na ocasião, derrotou os craques Funny Cide e Azeri, registrando 95s47/100, na pista de areia. De forma surpreendente pelo abrupto encurtamento da distância, voltou a ser apresentado no Vosburgh Handicap, em 1.200 metros, Grupo I, em Belmont Park. Novo show: pilotado por Victor Espinoza e dando peso aos demais concorrentes, derrotou Voodoo e Speightstown, em 69s74. Pico Central foi o único corredor, em toda a história do turfe norte-americano, a vencer o Vosburgh Handicap, o Carter Handicap e a Metropolitan Mile, no mesmo ano (2004).Foi capa da revista “The Blood-Horse”, uma das mais importantes do turfe americano, com a seguinte manchete: “Brazilian Bullet” (“Foguete brasileiro”). Deixou de correr a Breeders’ Cup Sprint, uma espécie de campeonato mundial da velocidade, uma vez que seu proprietário recusou-se a pagar a taxa de inscrição imposta aos animais estrangeiros. Ganhou a prova e o Eclipse Award, como melhor animal velocista do ano de 2004 nos EUA o terceiro colocado no Vosburgh Handicap, a quem o brasileiro já havia derrotado. Pico Central, hoje, é reprodutor na Flórida.
Para o seu treinador nos Estados Unidos, Paulo Henrique Lobo, o melhor cavalos que já teve em mãos.
“Posso afirmar que Pico Central foi um dos melhores, senão o melhor cavalo que passou por minhas mãos. Era um fenômeno de velocidade e resistência. Ganhou na pista e nas distâncias onde os americanos são quase imbatíveis. Tinha um coração maior que ele e acompanhá-lo era tarefa difícil para os adversários. Ao ganhar o Metropolitan Mile, uma das mais importantes provas do turfe americano, em Nova York, derrotou craques consagrados como Funny Cide, quase tríplice coroado, e Azeri, vencedora do título de Horse of the Year.
Gostaria de destacar três pontos sobre Pico Central. Foi o único cavalo a vencer o Vosburgh Handicap, o Carter Handicap e a Met Mile no mesmo ano; nunca houve um velocista na história a ter o maior peso em handicap no mundo e tem a segunda marca mais rápida na história de Aqueduct em 1.400m (80s202), só superado por Artax. Quando o recebi, na Califórnia, mandado a mim pelos titulares do Stud Capitão, fiquei impressionado com sua estampa. Conversei, por telefone, com seu treinador no Brasil, Roberto Morgado Júnior, que me falou sobre o temperamento de Pico Central. Pude logo perceber que suas vitórias na Gávea não foram por acaso. Venceu um allowance, em Santa Anita, mostrando qualidade e uma velocidade espantosa. Dali em diante, foram só vitórias clássicas. Uma pena que não tenha participado da Breeders’Cup.”
Vitória no Vosburgh Handicap de 2004

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